quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
domingo, 24 de novembro de 2013
sábado, 9 de novembro de 2013
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Tu presencia es ajena, extraña a mí como una cosa.
Pienso, camino largamente, mi vida antes de ti.
Mi vida antes de nadie, mi áspera vida.
El grito frente al mar, entre las piedras,
corriendo libre, loco, en el vaho del mar.
La furia triste, el grito, la soledad del mar.
Desbocado, violento, estirado hacia el cielo
Pienso, camino largamente, mi vida antes de ti.
Mi vida antes de nadie, mi áspera vida.
El grito frente al mar, entre las piedras,
corriendo libre, loco, en el vaho del mar.
La furia triste, el grito, la soledad del mar.
Desbocado, violento, estirado hacia el cielo
[Neruda]
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.
Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancholia.
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancholia.
[Neruda]
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
terça-feira, 1 de outubro de 2013
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Claudio Cavalcanti
Hoje duas lâmpadas perderam a base de sua proteção - uma concha transparente de vidro já resistente ao contínuo calor que era submetida toda vez que alguém precisava de luz. Alguns insetos ressecados foram lançados até o piso de madeira quando um movimento mal calculado desequilibrou a estrutura da lâmpada. Os minúsculos pedaços de vidro se misturaram aos insetos negros e os pés permaneceram imóveis durante alguns segundos. Os olhos se fecharam e simultaneamente o ar foi inalado pelo nariz até o fim e, depois de uma rápida retenção, saiu de uma só vez pela boca, como quando estamos aliviados por algo, mas sem alívio. Após a limpeza completa do piso, o aspirador foi retirado do cômodo e a mulher, magra e sem cor, ao sentir a paz que reinava através do ar que entrava pela janela semi aberta resolveu acender uma vela. Passou de súbito em sua mente a ideia de que a presença da vela acesa levaria embora o acontecido. A cortina moveu-se leve e devagar e, com receio de alguma nova catástrofe doméstica a mulher magra fechou a janela por completo e afastou a mesinha em que a vela estava apoiada. Ela caminhou até a porta e voltou-se para a imagem de seu quarto e da luz amarela da vela destacando-se ao fundo. Sentiu uma coisa boa e foi tomar banho.
Mais tarde foi ao cinema. Era um domingo gelado e úmido. A chuva molhava seu rosto com gotas finas e delicadas. Ela sentiu uma coisa boa e protegeu apenas seus cabelos vermelhos, recém escovados, para não ficar com frizz.
Quando estava no caminho de volta observou através do vidro molhado as luzes vermelhas de alguns carros que estavam na sua frente. Aos poucos diminuiu a velocidade desfrutando do som que sai dos pneus quando se encontram com o piso úmido. Seu carro estava com ruídos iguais aos de carros antigos e ela retomou, colocando a primeira marcha como se estivesse dirigindo um carro grande e pesado. Sentiu como se estivesse em outra época, outra vida e gostou daquilo.
Um homem de amarelo sinalizava através das mãos em contínuo movimento para baixo e para frente, o momento de prosseguir, sem olhar para dentro dos carros, sem interesse em saber quem era ela.
Ela então parou de escutar o que os pneus de seu carro diziam e, como que num decrescente/crescente, trocou um som pelo outro. Substituiu o atrito do piso com os pneus pelo som cinematográfico de uma serra, como quando desligamos o chuveiro e pela troca de som percebemos que alguém chegou em casa. A serra foi acionada por um homem com rosto de velho e corpo jovem, que olhava fixamente para o alto de uma árvore.
Junto com as gotas da chuva no vidro do carro seu olhar escorreu do topo até o tronco de uma bela senhora árvore. Um pano branco com as palavras: "Não corta!" abraçava o grande e grosso tronco de madeira escura. Algumas pessoas conversavam com homens de amarelo. Ela notou um certo tumulto controlado e o semáforo abriu.
Ao chegar em casa, constatou que o domingo poderia ser classificado como o dia da semana que possuía mais símbolos que qualquer outro.
Entrou em seu quarto, pisou com a bota úmida o piso de madeira limpo, acendeu a luz e olhou para o teto. Ela sentiu muito pelas duas lâmpadas órfãs de sua concha protetora.
O toque do celular cortou seu olhar direcionado para o teto. Ela leu a notícia do falecimento.
Seus dedos finos e frios abraçaram forte o celular, ela sentiu uma coisa. Sua garganta fechou, como se quisesse protegê-la de algo. Seus olhos não piscaram e uma lágrima correu pela sua bochecha junto com o som da chuva fina que a janela deixou passar.
Era como se ela abrisse o chuveiro para não escutar quem iria chegar.
Hoje alguém se foi, como todos os dias alguém se despede de alguém. Ela apagou a luz e não fechou os olhos. Com a cabeça afundando seu travesseiro, no meio da escuridão, ela recordou um longo diálogo que eles tiveram dentro do carro no caminho de volta pra casa. Eles passaram por aquela árvore?
No último respiro daquele domingo, ela pensou na trajetória dele e nos últimos momentos. E como que num respiro de alívio com alívio, ao fechar os olhos com o flash da imagem dele, que sumiu como num crescente/decrescente, a mulher magra sentiu uma coisa boa.
Ele viveu.
No último respiro daquele domingo, ela pensou na trajetória dele e nos últimos momentos. E como que num respiro de alívio com alívio, ao fechar os olhos com o flash da imagem dele, que sumiu como num crescente/decrescente, a mulher magra sentiu uma coisa boa.
Ele viveu.
domingo, 29 de setembro de 2013
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
sábado, 21 de setembro de 2013
terça-feira, 17 de setembro de 2013
domingo, 1 de setembro de 2013
sábado, 17 de agosto de 2013
"Estava uma manhã maravilhosa - tão fresca como se intencionada para crianças na praia. Tal como um dia de verão, as ondas se formam, se desequilibram, e arrebentam; se formam e arrebentam; e o mundo todo parece estar dizendo "isso é tudo". Não temas mais, diz o coração. Não temas mais, diz o coração, lançando seu fardo em algum mar, que suspira coletivamente por todas as mágoas, e renova, retoma, recolhe, deixa tombar. Era bem isso o que ela amava, a vida."
V.W
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
mundo perfeito ♡
"Há só uma janela fechada e todo o mundo lá fora,/ E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse/ Que nunca é o que se vê quando se abre a janela".
Alberto Caeiro
Alberto Caeiro
segunda-feira, 29 de julho de 2013
quarta-feira, 24 de julho de 2013
quinta-feira, 18 de julho de 2013
sexta-feira, 5 de julho de 2013
quinta-feira, 13 de junho de 2013
terça-feira, 28 de maio de 2013
domingo, 31 de março de 2013
a.mar
Um mar azul, um vento bom. Do alto de um farol eu te avistei, corri pelas escadas e chorei, fui em qualquer direção e cheguei na sua.
[Nos segundos que antecedem um mergulho qual é a decisão que te faz saltar? Qual o seu impulso? Por que você pula? Se você olhar bem pro mar, se se concentrar de verdade. você não pula. Se você fechar seus olhos e abrir o peito, você pula. Depois você encontra o escuro e bate um medo vindo do nada. O mistério criado pelo mistério do nada. Aí você bate as pernas e com o impulso das mãos você vai até a superfície e encontra o ar que era seu antes de você saltar. Como se o momento do mergulho fosse a retenção não só do ar, mas também da sua vida. Seus olhos são o único canal que te liga ao passado, te liga a uma luz, você nada até ela. Você então reencontra seu passado. O ar volta e aos poucos um sorriso se abre. Todo mundo que volta do fundo do mar ou da piscina abre um sorriso inconsciente, molhado e transbordante. Até entre os seus dentes a água se despede e seu cabelo parece não existir. Você não quer sair dali. Você já entendeu basicamente a técnica necessária pra ter a leve certeza de que faz parte disso. Você começa a entender um pouco a natureza e a importância que ela tem dentro de você, do seu corpo. As sensações e os sentimentos atravessam seu próprio ser e seus olhos receberam a benção das águas. Você até pensa que pode ser o melhor amigo de Iemanjá. Uma alga passa pelos dedos do seu pé e você se assusta. Você percebe que era algo inofensivo e ri de si mesmo por dentro com uma respiração decrescente que chega no alívio. Você precisa descansar. Você consegue boiar e então fecha os olhos. O sol bate no seu corpo e você se entrega ao nada. Por alguns instantes você pensa que todo mundo do mundo está bem. Tá todo mundo bem, eu tô bem, eu acho então que tá tudo bem. Você decide sair da água e aquela mistura de sensações fica em você, seu corpo mudou, o sal te mudou. Você senta na areia e já é outro. Começa a chover bem fininho e você não corre da chuva, seu corpo a recebe um pouco e você não se incomoda de colocar sua regata e ela começar a molhar junto com a sua pele. A absorção do tecido da sua roupa com a pele molhada. Você não liga de andar descalço até a sua casa. Desta vez você não toma banho antes de cochilar. Você cochila e sonha com o mar. Você está tão perto dele que o escuta, e seu coração encontra o ritmo certo pra bater em harmonia com o barulho do mar. Seus ouvidos ficaram com um pouco do barulho dele, sua pele ficou com o cheiro dele, seu sangue circula mais quente e sua alma está profunda, como o mar, como o mar à noite, sua alma está transparente como a água e está preenchida de sons e de vidas. Você acorda. Uma tempestade acontece e você olha pela janela o mar ali, no mesmo lugar, com movimentos, ele e o dilúvio, como se travassem um diálogo.
Você toma uma chá e sente saudade dele e cuida dele e reza por ele e por você. Você acorda e olha pra ele, você passa o dia perto dele. Você o admira.
Você conhece alguém que não gosta de ficar sentado admirando o mar?]
Eu não sabia que estava indo em sua direção, mas eu quis. E o amor começa por algo que ninguém sabe, um mistério lindo, mar negro profundo. Depois parece que a gente já sabia que ia se encontrar. Depois do turbilhão de sensações e sentimentos, quando tudo estava mais calmo eu entendi quando foi que o amor aconteceu. Foi em um dia que eu resolvi te olhar como se olha pro mar antes de mergulhar. Eu olhei bem pra você bem quando você não sabia. Olhei pra você e não vi só você, vi a sua vida. A sua vida inteira, como se eu te conhecesse desde pequena. Eu consegui enxergar tudo, suas derrotas, vitórias, suas namoradas antigas, seus outros trabalhos, seus amigos, sua família, sua escola, as cidades que você morou, seu jeito de olhar pro seu filho quando ele nasceu, tudo. Eu te conheço. Eu te conheci e a partir deste momento eu senti pela sua vida uma deliciosa admiração. E quis ser sua. Mergulha! Como se estando ao seu lado eu pudesse ser parte disso tudo. Eu amo a vida que você viveu, a vida que você tem dentro de você, a vida que você planeja ter e a vida que você trouxe pra mim. Respira!
E como se todos estivessem bem, como se o mundo inteiro estivesse boiando no mar e eu não lembrasse de me preocupar com nada, eu me entrego a você. Chove! E sentar um pouco distante de você e te observar e te cuidar e receber seus ares, seu sopro, seus ventos,
E te a(mar).
Diálogo.
Diálogo.
eu.
sábado, 30 de março de 2013
o amor acaba
"...na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba."
[Paulo Mendes Campos]
domingo, 17 de março de 2013
Soneto do Corifeu
São demais os perigos desta vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida.
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida.
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher.
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher.
Deve andar perto uma mulher que é feita
De música, luar e sentimento
E que a vida não quer, de tão perfeita.
De música, luar e sentimento
E que a vida não quer, de tão perfeita.
Uma mulher que é como a própria Lua:
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua.
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua.
[Vinícius de Moraes]
segunda-feira, 4 de março de 2013
The Open Country of Woman's Heart
"Exhibiting its internal communications, and the facilities and dangers to Travellers therein."
By a Lady.
By a Lady.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Yeats
“Consome meu coração; febril de desejo/ E acorrentado a um animal agonizante/ Já não sabe o que é.”
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Dom Casmurro
Se só me faltassem os outros, vá um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde; mais falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo.
sábado, 12 de janeiro de 2013
O amor
"O amor comeu minha paz e minha guerra.
Meu dia e minha noite.
Meu inverno e meu verão.
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte."
Meu dia e minha noite.
Meu inverno e meu verão.
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte."
[J.C.N]
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
O Grande...
"E assim vamos todos, braços remando contra a correnteza, empurrados incessantemente rumo ao passado."
[F.S.F]
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Eternal sunshine...
“Feliz é o destino do inocente
Esquecendo o mundo e sendo por ele esquecido.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças;
Toda prece é ouvida, toda graça é alcançada.”
Esquecendo o mundo e sendo por ele esquecido.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças;
Toda prece é ouvida, toda graça é alcançada.”
[Alexander Pope]
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