quarta-feira, 15 de julho de 2009

sábado, 11 de julho de 2009

this boy.

depois de ouvir o trio: vini, mari e the cantando, essa música teve um encanto diferente pra mim...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

estudo - 02/ vizinhos

enquanto ele fala sobre sua amada, ela, inquieta, escreve sem parar uma carta de amor, uma carta de amor abandonado. ele resolve pegar o violão. a luz do quarto dela acende e ela lê, voltada pra janela, dele uma carta de amor abandonado. a carta está projetada nela inteira. a menina, que não é muito grande, deixa escapar algumas palavras... o vizinho continua a tocar seu violão e o outro vizinho vê tudo:

"meu,
escrevo para dizer que ainda sinto você em mim. eu tentei te tirar daqui de dentro, mas não foi possível. não sei se sofro mais a dor do abandono ou a dor de te abandonar. considero o seu feito um abandono, até porque não houve feito nenhum. considere o que faço uma provocação, porque talvez isso faça você se mexer. essa carta, escrita assim, com letras inquietas e borradas de lágrimas descontroladas, está aqui para te dizer tudo, ou também não servir para nada, depende de você. o fato é que estou desesperada... não sou fácil, eu sei. mas é difícil compreender que você saia assim de fininho da minha vida, sem nenhuma explicação e sem som, sem cor, sem corpo, sem tato, sem cheiro... você me conhece, não podia ter feito assim, desse jeito. eu não te conheço, mas sinto que ainda é meu. essa carta tem um espaço em branco, que é pra sua resposta, também coloquei alguns selos pra você não ter trabalho de comprá-los. eu preciso de alguma resposta, qualquer que seja. não consigo parar de pensar em você e preciso saber se eu preciso parar, ou se continuo nessa dor constante que me rasga por dentro e me corrói os pensamentos.

as noites tornaram-se tempos de tortura e os dias passam lentamente, e eu procuro vestígios seus o tempo todo. o abandono pode ser falado. você não precisa fugir ou fingir, porque eu não vou atrapalhar os seus novos planos, que antes me pertenciam. eu sou decidida e não morrerei com a tua partida. o que eu quero, de verdade, é que você preencha esse espaço vazio, esse espaço branco, quase cinza.

às vezes até prefiro que diga que já está de partida,

assinado eu."

as palavras projetadas somem, pouco a pouco, elas estão borradas. no fim da carta não há mais nada, a luz é baixa e a música para. do outro lado ele ouviu e prefere não se mexer.