eles então se esbaldaram naquele jardim já citado.
- vamos embora?
- aham...
- ué? vem!
- eu não consigo.
- mas eu consigo, e você não?
- pois é!
- você quer ficar, é isso?
- pode ser. e você?
- então eu fico.
- mas o que você queria fazer?
- eu queria água.
- hum, então vai. vai beber sua água.
- não, eu fico.
- eu não sei o motivo, mas estou sem sede. sem sede alguma.
- você é estranha, estou com muita sede. sabe quando você bebe água e sente ela descer pela sua garganta? sabe? como se uma correnteza fosse deságuar nos caminhos do seu corpo? é uma sensação realmente aliviante.
- aliviante?
- é.
- aliviante existe? ou você inventou?
-claro que existe, de alívio.
- eu não quero o alívio, ainda.
- eu quero, e quero dilúvio.
- você quer muito.
- eu quero...
- engraçado... cada um quer ir pra um lado.
- mas eu to aqui com você.
- mas eu quero alguém que não consiga sair daqui, eu quero alguém que grude.
- entendo.
- então vá!
- eu só vou buscar água, é rápido. você também quer?
- eu não quero. ah, e quando você voltar serei outra.
- então terá sede?
- não!
- eu volto.
- e eu fico.
ele foi. ela chamou:
- ei, me beija?
pausa (o beijo é a pausa)
- você mudou de cor.
- eu sei. mas não sou outra, continuo doce, grude, amarela. você vai voltar?
- volto. mas volto com água pra mim, e pra você... um quindim. o que acha?
- então eu acho que você já é outro.
. [eu]
domingo, 30 de novembro de 2008
domingo, 23 de novembro de 2008
carta aberta
enquanto os semáforos das ruas alternam entre tons esverdeados, amarelo e o vermelho-sangue-urgente. enquanto as ruas acordam com ruídos urbanos, enquanto eu durmo, enquanto eu amo. enquanto o sol tenta nascer, enquanto a chuva demora, mas cai em desesperadas gotas pesadas. enquanto cada tempo está no seu tempo e muda, de tempo em tempo, ela está lá, imóvel. ela era mais forte, ela está pálida.
hoje fui te ver, minha querida. e não contive nada, nenhuma lágrima. só o que vejo é você, só. mas a dor que esmaga meu peito é não poder fazer nada.
eu, jovem que sou, forte pra tantas coisas, paralisada. você sempre tão linda. seus brincos, suas mãos delicadas de unhas sempre feitas em cor rosa antigo e seu cabelo pintado. sua vaidade não se foi, ainda. e o resto todo, o resto que era corpo e agora é resto, está indo. um corpo definhando, imóvel e entregue. não se entregue!
hoje eu te vi.e você não sorriu. eu sinto tanto...tanto! tanto que me culpo por achar que estou a viver uma juventude de futilidades quando te vejo assim. você é amada, tão amada, tão amada... eu choro em lágrimas rápidas que dançam em meu rosto e você me pede pra parar. eu não quero te deixar. você está cansada. eu faço um pensamento positivo pra te passar entre as ondas de energia, através da tal da metafísica, através de uma fé que nunca tive e que está forte circulando em minhas veias, a força de minha juventude. é essa força de mulher nova que se sente madura, de garota com rosto puro, de vivência e sofrimento que não chega ao seu, é essa força que vai te ajudar. é isso que eu posso fazer. não vou rezar, porque não faço isso com freqüência, mas vou te amar. te amar muito.
hoje eu te vi. e quando entrei no seu quarto era você, só, na janela, com um espelho na mão. quando fui me despedir cheguei bem próximo de seu rosto. tão cheirosa. sabe que, você deveria deixar seus cabelos brancos a mostra? não precisa ficar pintanto, elza! você tem a beleza de mulher viva! dei um beijo em sua testa e você largou o espelho de uma das mãos e tocou meu rosto, me olhou. era a força de uma mulher pulsando nas pupilas de seus olhos azuis-esverdeados àsvezesclarosàsvezesescuro. e eu não consigo parar de chorar.
enquanto o tempo passa fora de seu quarto, enquanto eu envelheço l e n t a m e n t e, quero que seus olhos mantenham o que resta de sua força. os seus olhos me dizendo tudo. e os meus te olhando e reforçando os seus. minha vida é sua. minha força é sua. eu aperto sua mão.
e o resto, é só resto. e a vida? a vida cabe dentro de seus olhos.
te amo,
sua.
hoje fui te ver, minha querida. e não contive nada, nenhuma lágrima. só o que vejo é você, só. mas a dor que esmaga meu peito é não poder fazer nada.
eu, jovem que sou, forte pra tantas coisas, paralisada. você sempre tão linda. seus brincos, suas mãos delicadas de unhas sempre feitas em cor rosa antigo e seu cabelo pintado. sua vaidade não se foi, ainda. e o resto todo, o resto que era corpo e agora é resto, está indo. um corpo definhando, imóvel e entregue. não se entregue!
hoje eu te vi.e você não sorriu. eu sinto tanto...tanto! tanto que me culpo por achar que estou a viver uma juventude de futilidades quando te vejo assim. você é amada, tão amada, tão amada... eu choro em lágrimas rápidas que dançam em meu rosto e você me pede pra parar. eu não quero te deixar. você está cansada. eu faço um pensamento positivo pra te passar entre as ondas de energia, através da tal da metafísica, através de uma fé que nunca tive e que está forte circulando em minhas veias, a força de minha juventude. é essa força de mulher nova que se sente madura, de garota com rosto puro, de vivência e sofrimento que não chega ao seu, é essa força que vai te ajudar. é isso que eu posso fazer. não vou rezar, porque não faço isso com freqüência, mas vou te amar. te amar muito.
hoje eu te vi. e quando entrei no seu quarto era você, só, na janela, com um espelho na mão. quando fui me despedir cheguei bem próximo de seu rosto. tão cheirosa. sabe que, você deveria deixar seus cabelos brancos a mostra? não precisa ficar pintanto, elza! você tem a beleza de mulher viva! dei um beijo em sua testa e você largou o espelho de uma das mãos e tocou meu rosto, me olhou. era a força de uma mulher pulsando nas pupilas de seus olhos azuis-esverdeados àsvezesclarosàsvezesescuro. e eu não consigo parar de chorar.
enquanto o tempo passa fora de seu quarto, enquanto eu envelheço l e n t a m e n t e, quero que seus olhos mantenham o que resta de sua força. os seus olhos me dizendo tudo. e os meus te olhando e reforçando os seus. minha vida é sua. minha força é sua. eu aperto sua mão.
e o resto, é só resto. e a vida? a vida cabe dentro de seus olhos.
te amo,
sua.
[eu]
sábado, 15 de novembro de 2008
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
, consid(era)
a verdade é que não fosse aquele desdém, aquela frieza, a falta de coragem, o não ao invés do sim, o sim ao invés do não, o arraso, o descaso. não fosse o clima contribuindo com dias chuvosos, o tempo acelerando o relógio e retardando a dor. não fosse a ação desmedida, a fala repetida. não fosse cada atropelamento, cada impulsividade e pequena maturidade. não fosse uma dor que toma o peito por inteiro. não fosse nada disso! eu seria, hoje, um outro alguém. um outro que já existia e que iria continuar.
eu descobri pra que serve a decepção. não é pra desconsiderar e não é pra rancor nem mágoa. é pra gente abrir os olhos para o que está na nossa frente e depois olhar pra si. porque, no fim das contas, só a gente mesmo consegue curar a própria dor.
vive então:
eu descobri pra que serve a decepção. não é pra desconsiderar e não é pra rancor nem mágoa. é pra gente abrir os olhos para o que está na nossa frente e depois olhar pra si. porque, no fim das contas, só a gente mesmo consegue curar a própria dor.
vive então:
[eu]
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
e hoje é o dia dele!
terça-feira, 11 de novembro de 2008
hilda hilst.
"Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha)
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra."
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha)
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra."
aqueles dois.
"... Não chegaram a usar palavras como "especial", "diferente" ou qualquer coisa assim. Apesar de, sem efusões, terem se reconhecido no primeiro segundo do primeiro minuto. Acontece porém que não tinham preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para tentar entendê-las."
[caio fernando abreu]
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
cortei os cabelos.
a gente corta o cabelo pra jogar um monte de coisa fora.
o mais engraçado é que, bem hoje, eu tava num apegoquesó com o que se foi. resolvi então escutar músicas lindas. aí fechei os olhos, não pra dormir, fechei pra sentir mesmo.
eu, amiga do sr. tempo que sou, relembrei tantas coisas... sem fotos nem cartas, só com trilha mesmo.
então eu entendi que é só se concentrar bastante que a gente "vive" de novo aquilo que passou. eu senti de verdade coisas que se foram.
só que o tal do amigo tempo não me deixou sentir por inteiro, porque ele me mostrou que não adianta relembrar sozinha, nem achar que a memória é viva. o que fica guardado está de lado, é apego vazio. aí pra não ficar chato, ele me apresentou a nostalgia, ficamos amigos.
sintam-se fortemente abraçados, aqueles que estão na lembrança e aqueles do dia-a-dia, afinal hoje é dia de nostalgia...
ai ai...
o mais engraçado é que, bem hoje, eu tava num apegoquesó com o que se foi. resolvi então escutar músicas lindas. aí fechei os olhos, não pra dormir, fechei pra sentir mesmo.
eu, amiga do sr. tempo que sou, relembrei tantas coisas... sem fotos nem cartas, só com trilha mesmo.
então eu entendi que é só se concentrar bastante que a gente "vive" de novo aquilo que passou. eu senti de verdade coisas que se foram.
só que o tal do amigo tempo não me deixou sentir por inteiro, porque ele me mostrou que não adianta relembrar sozinha, nem achar que a memória é viva. o que fica guardado está de lado, é apego vazio. aí pra não ficar chato, ele me apresentou a nostalgia, ficamos amigos.
sintam-se fortemente abraçados, aqueles que estão na lembrança e aqueles do dia-a-dia, afinal hoje é dia de nostalgia...
ai ai...
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