Esta seria a hora que se eu fumasse, fumaria.
Observo as crianças com seus pais e seus avós e penso que se eu tivesse um filho, esta seria a hora que eu agradeceria por isso.
E talvez o tempo demore mais pras pessoas que estão em um aeroporto. Porque no turbilhão dos acontecimentos, de pessoas que conhecemos o tempo todo, a vida acaba passando. Ela passa e a gente tenta engolir tudo o que pode. Como quando estamos tomando um sorvete saboroso e ele começa a derreter. A gula, disparada e prazerosa.
Isso é o que chamam vida.
Por isso eu amo você. Porque quando estamos juntos nosso tempo é outro, é de aeroporto. E também porque você tem um jeito de fazer com que tudo fique cinematográfico. Não pela beleza das coisas, mas pela sutileza do movimento. Meu olho no seu e o seu no meu e a ilusão do cinema.
E eu me sinto bem. Eu olho pra cima e faça chuva ou sol, seja noite ou dia, eu olho pra cima e agradeço. Eu olho pro Universo com uma cara de quem entendeu o espírito das coisas, a sacada final da piada que ninguém entendeu ainda, sabe?
Eu penso: Ah! É por isso! É por isso que a gente sente aquela angústia, aquele frio, aqueles momentos secos da vida. É por isso que as minhas lágrimas ficaram caindo por aí e é por isso também que eu cheguei a achar que eu era o ser mais triste deste mundo. Por isso eu pensei em desistir, em abandonar, em esquecer. Porque existe este outro lugar, este outro lado da moeda e eu andei nesta direção sem saber.
Porque existe você e o seu abraço, que me engole e me faz sentir em casa.
Eu deito no seu colo, eu sou abraçada por você e eu olho pra cima. Te vejo, e minha cara é uma cara de quem entendeu o espírito das coisas, a sacada final da piada que ninguém entendeu ainda, sabe? Ah! É por isso!
Como quando o seu vôo atrasa num 'lugarzin' assim, bem cuidadinho e pequeno, um lugar bem t ípico como Juiz de Fora. Aí você tem uma hora pra ver o que tem do outro lado, pra buscar um mirante do tamanho que você merece. E você chega até ele, e tem aquela natureza sem fim, e que te faz pensar nos mistérios da vida, sempre tem alguma coisa pra acolher a gente, seja ela uma árvore, mas sempre tem.
Aí você olha pro céu e ele está limpinho, e você sente uma brisa fresca na sua nuca e sente um arrepio, e neste mesmo instante, simultaneamente sai um 'solzin', ele te cuida, você sente um calor da intensidade que você merece e você olha pra cima com uma cara de quem...
Chamamos isso de vida.