terça-feira, 27 de novembro de 2012


"E desde então, sou porque tu és
 E desde então és
 sou e somos...
 E por amor
 Serei... Serás...Seremos..."
[Pablo Neruda]

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

domingo, 26 de agosto de 2012

A rodar mi vida


Y cai que al fin esto es un juego
Todo empieza siempre una vez mas.
Y a rodar, y a rodar, y a rodar, y a rodar mi vida
Y a rodar, y a rodar, y a rodar, y a rodar mi amor
Yo no se donde va, yo no se donde va mi vida
Yo no se donde va pero tampoco creo que sepas vos

Fito Páez

La Danza



Te pertenezco





sábado, 25 de agosto de 2012


"A Felicidade depende de sermos livres, e a liberdade depende de termos coragem." 

Sócrates

El arte de vivir


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Salió el sol


La Casa

A casa estava vazia. Não totalmente vazia porque ela tinha vida. Não há cheiro e nem luz, mas pela fresta da janela vejo um pouco de sol projetando a poeira que ali reside. Através da fechadura grande e diferente de todas que já vi eu olho pra casa. Eu entro na casa. A casa não é minha, mas abre suas portas. Eu caminho pela casa rapidamente fazendo aquilo que poderia ser chamado de check up. Meus olhos comprovam de forma geral que este sim pode ser meu canto, era esse mesmo. 
No decorrer dos dias as coisas vão se aconchegando dentro da casa, eu já sei o lado mais confortável do sofá, já sei quais luzes eu gosto que fiquem acesas à noite e que portas devem estar fechadas enquanto eu durmo. Os sons são desvendados aos poucos. Uma campainha toca e eu demoro a perceber que era a minha, um ruído do estabelecimento ao lado que antes me assustava agora me é familiar. Aos poucos a geladeira vai ficando mais colorida e minha cama com meu cheiro. A casa está bagunçada? Não. Ela está recheada. Eu começo a pensar em mimos: incensos, raladores, panelas, xícaras e toalhas. Eu nunca lembro de comprar guardanapo. A casa recebeu um ruído novo, uma máquina de lavar roupas ligada é a novidade pra mim. Enquanto eu faço as minhas coisas este barulho da máquina traz a presença de algo, alguém. Eu me lembrei da minha casa de sempre. A nostalgia dos barulhos, que são como uma sinfonia da rotina. Quanto mais sons eu produzo, quanto mais cheiros eu introduzo, quanto mais pessoas me visitam, mais a casa está em mim e eu nela. Isso também é vida. Parece que o movimento contínuo das mesmas tarefas dentro de uma casa e da mesma movimentação: sala pra cozinha, cozinha para o armário, quarto para o banheiro, banheiro para o corredor, corredor pra a janela... a coreografia da vida que sim, está acontecendo. 
O movimento muda o título das coisas e esta casa que antes era "a casa" hoje posso dizer, é minha.

Domingo




El arte de vivir

"Vos estas hecho de una sustancia llamada amor, es nuestra propia existencia, nuestro verdadero ser."

sábado, 11 de agosto de 2012

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O artesão da vida


"Artesão da vida, a magia para tuas mudanças está dentro de ti."
" A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade."
Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 4 de julho de 2012

LaLuna







Bovary


Ela pensava, entretanto, de vez em quando, que aqueles eram os dias mas belos de sua vida, a lua-de-mel, como se diz. Parecia-lhe que certos lugares da terra deviam produzir felicidade, como uma planta que se dá bem em certo tipo de solo.

Talvez ela tivesse sonhado em fazer a alguém a confidência de todas essas coisas. Mas como relatar uma angústia indizível, que muda de aspecto como as nuvens, que roda em turbilhão como o vento? Faltavam-lhe as palavras, a ocasião, a habilidade.

Nos reservados dos restaurantes que serviam ceias após a meia-noite, a multidão alegre dos literatos e dos artistas ria à claridade das velas. Eram pródigos como reis, cheios de ambições, ideias e delírios fantásticos. Era uma existência mais elevada que as outras, entre o céu e a Terra, acima das tempestades; algo de sublime. Quanto ao resto do mundo, estava perdido, sem lugar determinado e como se não existisse. Aliás, quanto mais próximas as coisas, mais o pensamento dela se afastava. Tudo o que a cercava de perto, a campina aborrecida, os pequenos burgueses imbecis, a mediocridade da existência, parecia-lhe uma exceção no mundo, um acaso particular a que ela estava presa, enquanto além daquilo se estendia a perder de vista a imensa região das felicidades e das paixões.

Se ele tivesse desejado, entretanto, se tivesse percebido, se seu olhar, uma só vez que fosse, tivesse ido ao encontro de seus pensamentos, ela acreditava que uma abundância súbita se desprenderia de seu coração, como caem os frutos maduros das árvores, quando se lhes encosta a mão. Mas, à medida que se estreitava mais a intimidade de suas vidas, alguma coisa gradativamente a separava dele.

Ele já ouvira tantas vezes essas coisas que elas já não tinham para ele nada de original. Ela parecia-lhe com todas as amantes, e o encanto da novidade caía pouco a pouco como uma vestimenta, deixando ver, nua, a eterna monotonia da paixão, que sempre tem as mesmas formas e a mesma língua. Ele não distinguia, por ser homem eminentemente prático, a diversidade de sentimentos sob a semelhança das expressões.

Pensava que se deviam reduzir às devidas proporções os discursos exagerados que escondem as paixões medíocres, como se a plenitude da alma não ultrapassasse por vezes as metáforas mais vazias, pois ninguém pode jamais dar a medida exata de suas necessidades, nem de suas concepções, nem de suas dores; a palavra humana é como uma panela rachada onde batucamos melodias para os ursos dançarem, quando desejaríamos enternecer as estrelas.

“... tu podes ir e ainda que se mova o trem tu não te moves de ti.”


sexta-feira, 22 de junho de 2012

medianeras


AeroPorto

Esta seria a hora que se eu fumasse, fumaria.
Observo as crianças com seus pais e seus avós e penso que se eu tivesse um filho, esta seria a hora que eu agradeceria por isso.
E talvez o tempo demore mais pras pessoas que estão em um aeroporto. Porque no turbilhão dos acontecimentos, de pessoas que conhecemos o tempo todo, a vida acaba passando. Ela passa e a gente tenta engolir tudo o que pode. Como quando estamos tomando um sorvete saboroso e ele começa a derreter. A gula, disparada e prazerosa. Isso é o que chamam vida.
Por isso eu amo você. Porque quando estamos juntos nosso tempo é outro, é de aeroporto. E também porque você tem um jeito de fazer com que tudo fique cinematográfico. Não pela beleza das coisas, mas pela sutileza do movimento. Meu olho no seu e o seu no meu e a ilusão do cinema.
E eu me sinto bem. Eu olho pra cima e faça chuva ou sol, seja noite ou dia, eu olho pra cima e agradeço. Eu olho pro Universo com uma cara de quem entendeu o espírito das coisas, a sacada final da piada que ninguém entendeu ainda, sabe?
Eu penso: Ah! É por isso! É por isso que a gente sente aquela angústia, aquele frio, aqueles momentos secos da vida. É por isso que as minhas lágrimas ficaram caindo por aí e é por isso também que eu cheguei a achar que eu era o ser mais triste deste mundo. Por isso eu pensei em desistir, em abandonar, em esquecer. Porque existe este outro lugar, este outro lado da moeda e eu andei nesta direção sem saber.
Porque existe você e o seu abraço, que me engole e me faz sentir em casa.
Eu deito no seu colo, eu sou abraçada por você e eu olho pra cima. Te vejo, e minha cara é uma cara de quem entendeu o espírito das coisas, a sacada final da piada que ninguém entendeu ainda, sabe? Ah! É por isso!

Como quando o seu vôo atrasa num 'lugarzin' assim, bem cuidadinho e pequeno, um lugar bem t ípico como Juiz de Fora. Aí você tem uma hora pra ver o que tem do outro lado, pra buscar um mirante do tamanho que você merece. E você chega até ele, e tem aquela natureza sem fim, e que te faz pensar nos mistérios da vida, sempre tem alguma coisa pra acolher a gente, seja ela uma árvore, mas sempre tem.
Aí você olha pro céu e ele está limpinho, e você sente uma brisa fresca na sua nuca e sente um arrepio, e neste mesmo instante, simultaneamente sai um 'solzin', ele te cuida, você sente um calor da intensidade que você merece e você olha pra cima com uma cara de quem...

Chamamos isso de vida.

domingo, 17 de junho de 2012

07

Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno da tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha.
  Tu me olhas, de perto tu me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de ciclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, aproximam-se, sobrepõem-se e os ciclopes se olham, respirando indistintas, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca  cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim, como uma lua na água.

J.C

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Anton Tchekhov


" O que acontece no palco deve ser tão complicado e tão simples quanto as coisas são na vida real. Pessoas estão sentadas em uma mesa jantando, só isso, mas ao mesmo tempo suas felicidades estão sendo forjadas, ou suas vidas estão sendo destruídas."

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Faísca I

Eu, agora.
Aqui. Neste meu canto, eu penso em você.
Eu penso em você e logo depois penso em todos os amores do mundo. Eu penso em uma pessoa só, ela me leva a pensar em todas as outras e eu paro em mim.
Eu penso, penso, penso.
Eu odeio escrever várias vezes a palavra EU, mas não tenho como evitar, porque no fim das contas a gente está aqui pra fazer tudo por nós mesmos. E isso é feio, mas hoje ouvi dizer que o egoísmo pode ser bom pra todo mundo, mais ou menos isso. Então eu continuo pensando no que eu penso e acabei de pensar no que você pensa. E eu desejo. Porque no fim das contas o desejo é o que move a gente. E eu te desejo, mas desejo também uma série de pessoas que eu já odiei por um instante e agora sinto um amor assim, daqueles fraternos.
E a vida agora é algo que eu entendo plenamente, quase como se eu tivesse encontrado meu lugar no mundo ou mesmo a razão de estar nele, tudo isso sabendo, claro, que amanhã eu vou pensar que eu não sei de nada, porque sempre tem alguma coisa que vai me surpreender, apesar de eu já saber que sempre vai ter alguma coisa que vai me surpreender.
Eu olho ao meu redor e agradeço. E ao mesmo tempo em que eu agradeço eu penso se eu realmente mereço tudo isso.
Eu me sinto um pouco desconfortável com essa tal dessa felicidade, dessa plenitude e de ter essa sensação de que tudo é possível e que tudo vai dar certo. Porque no fim das contas a gente está aqui pra estar pronto pro fracasso e pra fazer disso nosso escudo. E claro que eu sei que não estamos aqui só pra isso.
Isso tudo é uma invenção. Está tudo inventado e a gente sabe disso e a gente finge que não sabe, às vezes. Porque é meio legal fingir que tá surpreso com alguma coisa, geralmente com a declaração que você tanto esperou ouvir. Porque sim, a gente já sabe o que a gente sente um pelo outro, as relações estão estabelecidas inconscientemente e a gente se olha e a gente se vê, por dentro eu quero dizer.
As coisas se repetem e eu tento achar algo de bom e de novo nelas. E eu te olho e te organizo e te coloco num lugar que já foi de um outro alguém e isso acontece o tempo todo com todo mundo. Porque no fim das contas a gente está aqui pra ser repetitivo.
E tá. Eu quero te levar comigo. Eu quero levar tudo comigo e isso é um egoísmo gigantesco e eu sinto um certo prazer em ser egoísta porque eu gosto de mim e de você juntos e eu quero sim e eu quero agora e eu quero pra sempre. E junto com este querer eu quero também que você diga pra mim que tudo isso é impossível de se querer e de se ter e de prometer e aí sim eu posso não gostar tanto assim de você. Porque a gente está aqui mesmo pra achar um monte de motivos pra fingir que nada disso é tão importante e que, claro, tudo é coisa da nossa cabeça.
No final das contas do dia de hoje eu to com o meu coração explodindo de felicidade e de amor por cada pessoa que já entrou na minha vida. Pelas que se foram, pelas que estão, pelas que vão ficar pra sempre e por você, ao qual eu dei o título de meu amor, no momento.

Eu te desejo.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

quinta-feira, 29 de março de 2012

quarta-feira, 28 de março de 2012

*

"O amor precisa de sorte,
de um trato certo com o tempo, pra que o momento do encontro seja, pra dois,
o exato momento."



o amor

"O amor é o solvente universal para todos os conflitos e distinções. É através do amor, da compreensão e da aceitação que poderemos ascender para os reinos celestiais. O amor abre as dimensões do infinito.
Mas, há que se ter humildade e coragem para amar. Essa experiência não é tão fácil. Há que se ter coragem para ser você mesmo e revelar a sua essência. Em essência, nós somos amor. O amor é a seiva da vida. Há que se ter coragem para desvendá-lo, o que significa remover as máscaras e mecanismos de defesa que fomos aprendendo a usar ao longo da vida. Nós passamos muito tempo nessa vida nos protegendo, nos escondendo atrás de tantas e tantas camadas. Todo o esforço de um buscador deve ser para se afinar com a verdade. Pois, a verdade ilumina o amor e o amor ilumina a liberdade."

[Sri Prem Baba]

domingo, 25 de março de 2012

Se eu pudesse

Se eu pudesse deixar algum presente a você, deixaria aceso o sentimento de amar a vida dos seres humanos.
A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo a fora.
Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem.
A capacidade de escolher novos rumos.
Deixaria para você se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável:
Além do pão, o trabalho.
Além do trabalho, a ação.
E, quando tudo mais faltasse, um segredo:
O de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída.


[Mahatma Ghandi]

quarta-feira, 14 de março de 2012

contagem regressiva

ela conta os meses, os dias, as horas, pra acordar dentro do sonho.

domingo, 11 de março de 2012

"Em um momento haviam dois caminhos para percorrer. Eu escolhi o menos percorrido e isso fez toda a diferença."
[Robert Frost]

sexta-feira, 9 de março de 2012

Cambaio a Seco, pessoas, profissão e a vida.

Ontem foi a estreia de Cambaio A Seco, um musical, uma peça, um show, uma história de amor e suas trilhas. Mais um trabalho delicioso, mais um que nem parece trabalho, sabe? E outra oportunidade de conhecer pessoas especiais, talentosas e generosas.
A estreia foi linda, e não tinha como não ser. Porque tudo era lindo desde o começo, o entusiasmo de todos na primeira reunião, o carinho, o cuidado que todo mundo teve com este projeto, está tudo lá, num resultado prévio, porque cada apresentação será de um jeito, e Cambaio A Seco, como tudo o que a gente faz e é nesta vida, vai se transformar cada vez mais. Mas começar assim, desse jeito assim, tão puro, simples e delicado é o que me encanta em fazer parte disso tudo. É uma daquelas coisas que te mostram o motivo de a gente estar aqui nesse mundo. Eu descobri o quanto a generosidade é importante, não só pro artista, mas no dia-a-dia, na vida mesmo. Dentro do meu trabalho eu descubro mil coisas, mas essa foi a mais tocante.
Na vida é importante ser generoso, cauteloso, delicado. E nem por isso as coisas perdem a sua força, a euforia necessária pra movimentar algo.
No meu ofício eu encontro vida, nos meus amores, nos outros, no outro. E dentro de mim eu carrego um pedacinho de cada pessoa, de cada lugar, guardo cada lembrança.
E cuido.

sábado, 3 de março de 2012

meu amor por você

eu te olho, vejo seu rosto em detalhes, caminho por ele em um ritmo lento com a ponta dos meus dedos. as marcas na sua pele. eu penso o quanto te conheço e o quanto ainda quero te descobrir. sua maneira de falar, de ouvir. eu sei, nada disso pode durar muito tempo, porque a vida está aí, em movimento. um momento tão perfeito não pode perdurar.
se um telefone não tocar, se a água não começar a ferver, se uma buzina de um carro na rua não for acionada, se um lápis não cair, se o despertador não berrar, se a novela não tocar sua trilha de suspense de repente, se alguém não gritar perto da janela, se você não começar a falar alguma coisa estúpida, se os meus pensamentos não começarem a interferir entre eu, você e nosso lento e sincero amor, então será tão pleno este momento, será tão verdadeiro e tão além de tudo o que pulsa neste mundo, que será dolorido, será certo demais. um sentimento não pode ter certificado, não pode ser tão seguro e confiante. a vida têm suas ferramentes pra driblar este tipo de coisa, porque seria insuportável para um ser humano viver algo tão vivo quanto ele mesmo. percebe? vê que quando a gente começa a sentir essa paz, essa coisa inexplicável, isso vira movimento? passa em uma fração de segundos? é porque não deixam.
porque quando te olho, quando te faço um carinho, todas as outras coisas do mundo ficam longe, pequenas, viram vento. e a importância de tudo se resume ao amor, ao sentimento. eu entendo que a vida vale por essa coisa que a gente sente, que chamam de amor. mas que é mesmo alguma coisa sem nome. é aquela mesma coisa que eu sinto quando estou no palco, aquela mesma que eu sinto quando vejo meus pais felizes por alguma conquista de suas filhas, aquela de quando você vê um bebê e olha bem nos olhos dele e ele te responde de alguma forma, aquela de quando você assiste um espetáculo de dança, aquela de quando você sente o sabor de uma fruta fresca, aquela de quando você vive coisas inesquecíveis com seus grandes amigos, aquela de um grande ataque de riso, aquela de quando você entra num avião ou num trem sozinho, pronto pra desbravar algo desconhecido, um céu, uma estrada, um país, uma cidade, uma rua, uma vizinhança,
um alguém.


te amo.

[eu]

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

La Vida Es Mas Compleja De Lo Que Parece

ou, a minha atual música pra cortar os pulsos ;)

El velo semitransparente
Del desasosiego
Un día se vino a instalar
Entre el mundo y mis ojos.
Yo estaba empeñado en no ver
Lo que ví, pero a veces,
La vida es más compleja de
Lo que parece.

Pensaste que me iba a quebrar
Y subiste tu apuesta,
Me hiciste sentir el sabor
De mi propia cocina.
Volví a creer que se tiene
Lo que se merece.

La vida es más compleja de
Lo que parece.

Todas las versiones
Encuentran sitio en mi mesa,
Todas mis canciones
Por una sola certeza.

No quiero que lleves de mi
Nada que no te marque,
El tiempo dirá si al final
Nos valió lo dolido.
Perderme, por lo que yo ví
Te rejuvenece.

La vida es más compleja de
Lo que parece.

Mejor, o peor, cada cual
Seguirá su camino.
Cuánto te quise, quizás,
Seguirás sin saberlo.
Lo que dolería por siempre,
Ya se desvanece.

La vida es más compleja de
Lo que parece.

[Jorge Drexler]

Lecuona

sábado, 28 de janeiro de 2012

os 5 maiores arrependimentos dos pacientes terminais

http://www.einstein.br/espaco-saude/bem-estar-e-qualidade-de-vida/Paginas/os-cinco-maiores-arrependimentos-dos-pacientes-terminais.aspx

John Keats (1795-1821)

"Touch has a memory."

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

"Há que pôr o chão. Nos pés."

Da Felicidade

"Olharei a morte com o mesmo ânimo com que ouvi falar sobre isso; suportarei qualquer cansaço com espírito forte, também desprezarei as riquezas presentes e futuras, sem ficar mais triste ou mais orgulhoso se elas estão em torno de mim ou em outro local; serei insensível aos ditames da sorte venturosa ou desafortunada; observarei todas as terras como se minhas fossem, e as minhas como se pertencessem a todos; viverei como alguém que sabe que nasceu para os outros e darei graças à natureza por isso."

[Sêneca]

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

fragmentos de um discurso amoroso

A carta de amor

É a esta forma (a este ritmo) que chamamos "pensamento", nada tenho a dizer a você, senão que este nada é a você que o digo:

"pourquoi j'ai de nouveau recours à l'écriture?

Il ne faut pas, chérie, poser de question si nette,
Car, en vérité, je n'ai rien à te dire;
Tes chères mains toutefois recevront ce billet."

[Goethe]

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Da tranquilidade da alma

"Lançando mão de uma imagem que expresse o que sinto, digo que não me cansa a tempestade, mas, sim, a náusea. Portanto, afasta o que quer que seja este mal e socorre ao náufrago que já avista a terra."

"Desde há muito, eu questiono, em silêncio, a que se poderia comparar semelhante estado de espírito e não encontro exemplo mais adequado que o daqueles que, tendo saído de uma longa e grave enfermidade, ainda sentem pequenos incômodos. (...) O corpo deles, está curado, embora não esteja acostumado à saúde, assim como o mar já tranquilo, sempre tem certa agitação, mesmo depois que passou a tormenta."

" São inumeráveis as propriedades do vício, mas o seu efeito é um só: o aborrecer-se consigo mesmo. Isto nasce do desequilíbrio da alma e dos desejos tímidos ou pouco prósperos, visto que não ousam tanto quanto desejam ou não o conseguem. Dessa forma, realizam-se apenas na esperança. (...) Assim, seus desejos, fechados em sua estreiteza, sem possibilidade de evadir-se, acabam por sufocar a si mesmos."

[Sêneca]

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Da vida retirada

"Que pensar então da utilidade de se retirar para perto de homens qualificados e escolher um exemplo para orientar a nossa vida? Isso, a não ser em uma vida retirada, não pode ser conseguido. Somente assim pode ser alcançado aquilo com que sonhamos, em um lugar onde ninguém interfere em nossas ações, para não deixarmos de lado nossos propósitos.
Por exemplo, dentre todos os males, o pior de todos é quando resolvemos mudar nossos defeitos. Passar de uma coisa para outra pode agradar, mas, ao mesmo tempo, é vergonhoso, uma vez que nossas decisões tornam-se levianas. Hesitamos e somos levados pra cá e pra lá. Abrimos mão de nossos anseios, reclamamos do que abandonamos, as mudanças se alternam entre a nossa ambição e o nosso arrependimento.
Dependemos inteiramente dos julgamentos alheios, e parece-nos melhor aquele que tem muitos pretendentes e adoradores e não o que deve ser elogiável e desejável. Nem avaliamos o caminho do bem e do mal por si, mas pela quantidade de pistas, sendo que nenhuma assinala retorno."

[Sêneca]