quinta-feira, 20 de agosto de 2009

f i m .

(ele)

Uma mão masculina termina de escrever uma carta, ele a dobra e a coloca em um envelope. Seus dedos selam, com sua saliva da manhã, o papel seco e sem gosto. A carta é enviada.

(ela)

no final dos filmes (créditos) no término de um bom espetáculo (palmas) no final do ano (fogos de artifício) e quando acabo o almoço (soneca) quando o jogo acaba (gritos) e quando a viagem termina (estrada) se acaba a sobremesa eu (raspo) e se chega o fim do dia, mamãe fecha as (janelas) se acaba a luz (velas) e quando a festinha termina (vassoura) se meu shampoo está no fim (mais água) e se eu fecho a torneira (goteira) se meu riso acaba eu (repito) e se minhas lágrimas secam (gemidos) no último capítulo da novela (casamento) e se sou despedida (desemprego) quando meu livro acaba não sei muito bem o que fazer, fico desnorteada, deve ser o poder da palavra ou o medo de perder a sensação de sempre poder virar a página.

Eu sei dar fim pra tudo, porque sei que tudo tem seu fim.

Hoje eu tenho um fim olhando pra mim, em forma de palavras. Ele quer que eu aceite, quer que eu faça alguma coisa, que eu diga sim.
(Mas) eu não digo nada.




[eu]
obs: não posso deixar de agradecer os comentários de todos, sempre carinhosos e atentos ao que me proponho a compartilhar. muito obrigada, de coração! ;)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

eu te escrevo

encabulada que sou te escrevo, porque temo olhar suas reações e prefiro imaginar você me lendo. te escrevo porque me falta coragem de dizer e porque sei, que no meio de uma fala ou de outra, minhas emoções vão aparecer. não posso me entregar e por isso te escrevo. dizem que cartas são para românticos, mas eu não sou romântica, sou só sensível. essas linhas todas parecem intermináveis e mesmo assim, temo que aqui não caiba tudo o que há dentro de mim de você. desde a primeira vez que te notei pensei em te escrever, eu era anônima e não tinha nada a perder. você era um estranho que eu ficava a observar, eu esperava aquele momento em que você desviaria o olhar, dizem que os olhos não conseguem disfarçar. a minha letra segue firme e meus dedos querem começar a desenhar, quero também saber compor uma partitura pra você e assistir você me dançar. eu sinto que te conheço e lhe escrevo, porque a escrita é coisa íntima e as cartas pertencem aos amantes, então eu te dou a minha palavra de que sou sua. o que escrevo sai assim sem parar e eu não penso em mais nada, e por isso só penso em você. sou bem chata e metódica, mas acho que você pode gostar, porque faço graça da desgraça e tudo vai parecer melhorar. aqui eu deixo a minha declaração, porém não direi quem sou, tenho medo do não.

é você quem ronda a minha mente nas noites solitárias e é você quem esquenta meu corpo quando meu cobertor não dá conta de mim. é você que sabe ser como eu quero que seja e que sorri pra dentro assim tímido, e isso é bom, me faz bem. é você que não me vê e que me faz te ver a qualquer hora. é você que eu quero e peço que seja agora.

ass: anônima.

[eu]