Uma mão masculina termina de escrever uma carta, ele a dobra e a coloca em um envelope. Seus dedos selam, com sua saliva da manhã, o papel seco e sem gosto. A carta é enviada.
(ela)
no final dos filmes (créditos) no término de um bom espetáculo (palmas) no final do ano (fogos de artifício) e quando acabo o almoço (soneca) quando o jogo acaba (gritos) e quando a viagem termina (estrada) se acaba a sobremesa eu (raspo) e se chega o fim do dia, mamãe fecha as (janelas) se acaba a luz (velas) e quando a festinha termina (vassoura) se meu shampoo está no fim (mais água) e se eu fecho a torneira (goteira) se meu riso acaba eu (repito) e se minhas lágrimas secam (gemidos) no último capítulo da novela (casamento) e se sou despedida (desemprego) quando meu livro acaba não sei muito bem o que fazer, fico desnorteada, deve ser o poder da palavra ou o medo de perder a sensação de sempre poder virar a página.
Eu sei dar fim pra tudo, porque sei que tudo tem seu fim.
Hoje eu tenho um fim olhando pra mim, em forma de palavras. Ele quer que eu aceite, quer que eu faça alguma coisa, que eu diga sim.
(Mas) eu não digo nada.
[eu]
obs: não posso deixar de agradecer os comentários de todos, sempre carinhosos e atentos ao que me proponho a compartilhar. muito obrigada, de coração! ;)
