[Proust]
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
experiência lunar
" Algumas vezes, no céu da tarde, uma lua branca surge como uma pequena nuvem, furtiva sem aparato, evocando uma atriz que não irá voltar à cena por enquanto, mas ainda assim permanece de pé, nos bastidores, observando o resto da companhia atuar, mas sem querer atrair atenção sobre si mesma."
sábado, 17 de dezembro de 2011
Clarice Lispector
"Tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras; sou irritável e piro facilmente; também sou muito calma e perdôo logo; não esqueço nunca; mas há poucas coisas de que eu me lembre; sou paciente, mas profundamente colérica, como a maioria dos pacientes; as pessoas nunca me irritam mesmo, certamente porque eu as perdôo de antemão; gosto muito das pessoas por egoísmo: é que elas se parecem no fundo comigo; nunca esqueço uma ofensa, o que é uma verdade, mas como pode ser verdade, se as ofensas saem de minha cabeça como se nunca nela tivessem entrando? Tenho uma paz profunda, somente porque ela é profunda e não pode ser sequer atingida por mim mesmo; se fosse alcançável por mim, eu não teria um minuto de paz; quanto a minha paz superficial, ela é uma alusão à verdadeira paz; outra coisa que esqueci é que há outra alusão em mim - a do mundo grande e aberto; apesar do meu ar duro, sou cheia de muito amor e é isso o que certamente me dá uma grandeza...”
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Minha vez
É hora de fazer tudo o que eu sempre quis. E é maravilhoso ver que tudo o que eu sempre quis é simples, belo, acessível, fácil, do bem."
[Caio Fernando Abreu]deixa ser o que será
hoje foi um daqueles dias em que eu imaginei como tudo pode ser um dia, por lá
este lugar e esta missão quase que impossível de chegar até ele
cada minuto que passa eu me despeço
os pedaços de gente e de caminho passam por mim como se eu não fosse mais daqui
eu sempre soube
e parece que tem muita gente que sabe também
me imagino o tempo todo fora daqui
eu já me encontrei
...
..
.
só não cruzei a linha de chegada.

este lugar e esta missão quase que impossível de chegar até ele
cada minuto que passa eu me despeço
os pedaços de gente e de caminho passam por mim como se eu não fosse mais daqui
eu sempre soube
e parece que tem muita gente que sabe também
me imagino o tempo todo fora daqui
eu já me encontrei
...
..
.
só não cruzei a linha de chegada.
eu.
sábado, 10 de dezembro de 2011
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Amor desse...
"Sempre que se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na idéia, querendo e ajudando, mas quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. Amor desse, cresce primeiro; brota é depois."
[Guimarães Rosa]
enfrentar a mim e mais ninguém.
e se um dia eu acordar e tiver coragem?
aí talvez neste dia, e só neste dia, eu vou saber que chegou a minha vez.
mais ou menos assim: coragem é aquilo que sai da gente e enfrenta o mundo.
aí talvez neste dia, e só neste dia, eu vou saber que chegou a minha vez.
mais ou menos assim: coragem é aquilo que sai da gente e enfrenta o mundo.
domingo, 6 de novembro de 2011
Eu me acerto - Zélia Duncan
Não pensa mais nada
No final dá tudo certo
De algum jeito
Eu me acerto, eu tropeço
E não passo do chão
Pode ir que eu agüento
Eu suporto a colisão
(...)E ninguém aqui vai notar
Que eu jamais serei a mesma
(...)E ninguém aqui vai mudar...
No final dá tudo certo
De algum jeito
Eu me acerto, eu tropeço
E não passo do chão
Pode ir que eu agüento
Eu suporto a colisão
(...)E ninguém aqui vai notar
Que eu jamais serei a mesma
(...)E ninguém aqui vai mudar...
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Guimarães Rosa
"O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem."
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem."
domingo, 23 de outubro de 2011
noite feliz.
o que aconteceu não faz parte da realidade. o que aconteceu foi um anexo.
foi mágico, foi divino, como um sonho.
os fios de luz que saem por entre as nuvens nos dizem que o faz de conta está para acabar, nos avisam que a vida real está pra chegar.
o que aconteceu precisava de escuridão, então eu fecho os meus olhos.
o que aconteceu foi simples, íntimo, natural.
foi sobrenatural.
e o que vai acontecer não importa.
o que importa é que aconteceu.
foi mágico, foi divino, como um sonho.
os fios de luz que saem por entre as nuvens nos dizem que o faz de conta está para acabar, nos avisam que a vida real está pra chegar.
o que aconteceu precisava de escuridão, então eu fecho os meus olhos.
o que aconteceu foi simples, íntimo, natural.
foi sobrenatural.
e o que vai acontecer não importa.
o que importa é que aconteceu.
eu.
Al revés
Hace ciento treinta años, después de visitar el país de las maravillas Alicia se metió en un espejo para descubrir el mundo al revés. Si Alicia renaciera en nuestros días, no necesitaría atravesar ningún espejo: le bastaría con asomarse a la ventana.
sábado, 15 de outubro de 2011
foto grafia
Eu estava olhando as nossas fotos. Visitando parte de nossas vidas, lugares que não voltei. A minha memória vai falhando e eu preciso recorrer aos registros falsos que fizemos, assim como os nossos perjúrios de amor.
Essas fotos estavam no meio de outras e eu acabei revendo outras pessoas, outros espaços, tempos. E as fotos posadas são melancolicamente sorridentes, como se na hora da foto já pudéssemos imaginar como seria o dia em que as revelaríamos. Precisaríamos de sorrisos pra dizer que estava tudo bem, pra confortar quem vai observar aquela foto diversas vezes. Então eu comecei a olhar todas as nossas fotos. Eu achei uma em que meus olhos estão um pouco carregados, emotivos. Eu lembrei que naquele dia não estávamos bem. E, apesar de eu ter tentado disfarçar, havia neste 'disfarce' uma grande armadilha, porque nele eu entreguei todo nosso drama. Todo o meu drama. Estava ali, no meio de tantas fotos, uma única que finalmente, eu poderia chamar de registro.
Eu achei também aquelas fotos em que a gente nem sabe que foi fotografado. São lindas. Somos figurantes. Tem uma em que você está gargalhando tão gostoso, tão leve, tão flagrado! Eu tenho certeza que nessa hora eu estava te amando. Não, eu não estou nessa foto. Talvez tenha sido eu a fotógrafa.
E aí eu comecei a procurar algumas coisas nossas no computador, e achei uns vídeos. Em muitos deles eu é que estava te filmando. Eu te filmava bem de pertinho assim, e quando achava que você dizia alguma coisa bem bonita ou que ia dizer algo importante, eu dava um zoom. Em um deles você se comportava como nas poses pras fotos. Fingia que estava tudo bem. Parecia que você já sabia que o nosso fim estava por vir. Estava no seu olho, na maneira como você não me olhava. Você não quis se entregar ali, mas você entregou o nosso drama. O seu drama. Eu pedia pra você dizer coisas bonitas e você não dizia e você sorria triste. No vídeo eu pedia mais de uma vez pra você fazer uma declaração, e você não fez. Porque você não queria entregar o nosso drama. Porque você não tinha coragem de dizer o que era pra ser dito. E porque ali você entregou todo o seu amor por mim. Você nunca me amou mais do que naquele vídeo. Ali estava a última gota do nosso amor. As lentes registraram.
Está tudo registrado, para que quando você seja levado para longe da memória, eu possa rever e reafirmar o nosso amor. O nosso drama.
te amo
.
Essas fotos estavam no meio de outras e eu acabei revendo outras pessoas, outros espaços, tempos. E as fotos posadas são melancolicamente sorridentes, como se na hora da foto já pudéssemos imaginar como seria o dia em que as revelaríamos. Precisaríamos de sorrisos pra dizer que estava tudo bem, pra confortar quem vai observar aquela foto diversas vezes. Então eu comecei a olhar todas as nossas fotos. Eu achei uma em que meus olhos estão um pouco carregados, emotivos. Eu lembrei que naquele dia não estávamos bem. E, apesar de eu ter tentado disfarçar, havia neste 'disfarce' uma grande armadilha, porque nele eu entreguei todo nosso drama. Todo o meu drama. Estava ali, no meio de tantas fotos, uma única que finalmente, eu poderia chamar de registro.
Eu achei também aquelas fotos em que a gente nem sabe que foi fotografado. São lindas. Somos figurantes. Tem uma em que você está gargalhando tão gostoso, tão leve, tão flagrado! Eu tenho certeza que nessa hora eu estava te amando. Não, eu não estou nessa foto. Talvez tenha sido eu a fotógrafa.
E aí eu comecei a procurar algumas coisas nossas no computador, e achei uns vídeos. Em muitos deles eu é que estava te filmando. Eu te filmava bem de pertinho assim, e quando achava que você dizia alguma coisa bem bonita ou que ia dizer algo importante, eu dava um zoom. Em um deles você se comportava como nas poses pras fotos. Fingia que estava tudo bem. Parecia que você já sabia que o nosso fim estava por vir. Estava no seu olho, na maneira como você não me olhava. Você não quis se entregar ali, mas você entregou o nosso drama. O seu drama. Eu pedia pra você dizer coisas bonitas e você não dizia e você sorria triste. No vídeo eu pedia mais de uma vez pra você fazer uma declaração, e você não fez. Porque você não queria entregar o nosso drama. Porque você não tinha coragem de dizer o que era pra ser dito. E porque ali você entregou todo o seu amor por mim. Você nunca me amou mais do que naquele vídeo. Ali estava a última gota do nosso amor. As lentes registraram.
Está tudo registrado, para que quando você seja levado para longe da memória, eu possa rever e reafirmar o nosso amor. O nosso drama.
te amo
.
[eu]
domingo, 2 de outubro de 2011
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
namastê
o desapego
o distanciamento
a integridade do ser
não se envolva, observe e mantenha-se íntegro.
o distanciamento
a integridade do ser
não se envolva, observe e mantenha-se íntegro.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
terça-feira, 16 de agosto de 2011
terça-feira, 9 de agosto de 2011
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
terça-feira, 2 de agosto de 2011
"Havia momentos em que eu tinha a impressão de compreender algo naquele mistério. Outras vezes, caía na indiferença, na apatia, na amargura até, e esquecia a minha curiosidade, não encontrando resposta para nenhuma das minhas questões. Às vezes - e isso acontecia com frequência crescente - experimentava uma estranha necessidade de ficar sozinha e pensar, pensar, sempre."
sábado, 30 de julho de 2011
"...Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas... Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo.
"
[Caio Fernando Abreu]
quarta-feira, 29 de junho de 2011
bem no fundo
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
Paulo Leminski
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Nossos heróis!
Eu tive acesso ao ensino privado, agarrei as oportunidades de trabalho que me foram dadas, mas tenho consciência de que a realidade do meu país é outra. As palavras desta professora eu tomei pra mim, como se tudo aquilo me fosse familiar. Como se eu compreendesse o que é estar em sala de aula tentando 'salvar o Brasil'. Eu tive vontade de salvar esta mulher e todos os nossos mestres que não têm nenhum tipo de reconhecimento, de valorização. Sinto pelos jovens, sinto muito pelos nossos professores.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
fuso horário
era preciso partir.
era fundamental a distância. deixar tudo aquilo um pouco de lado. as relações criadas, esgotadas, suplicadas, exageradas, superficiais... todas as relações, fossem elas de amor ou de ódio.
e não há como explicar uma vontade, tampouco um sentimento.
tudo poderia estar perfeito, de acordo com a ordem natural da vida de qualquer um, mas o tempo, o tempo que ela queria era outro. parece até que ela não era daqui, ela não é de nenhum lugar, nasceu estrangeira.
apesar das coisas acontecerem naturalmente e de o acaso resolver a maioria delas, tudo se torna mais difícil quando você não está no lugar que deveria estar. e isso ela me disse, não era ingratidão. isso tudo que se passava era um desencanto somente.
ela olha para mim com um olhar de saudade, um olhar antecipado. eu vejo em seus olhos que ela já não está aqui.
o sossego de uma paisagem, os sons de um outro lugar, de uma outra rua. a chuva inesperada de uma tarde e a fala, que não é dela.
outra vida, a qual não há discursos gratuitos. ela quer ouvir.
eu entendo esta mulher, eu compartilho com ela toda essa vontade, embora saiba que, como tudo na vida, toda essa ânsia vai passar. antes que passe, espero que você a conquiste. e depois volte, minha querida,
volte.
era fundamental a distância. deixar tudo aquilo um pouco de lado. as relações criadas, esgotadas, suplicadas, exageradas, superficiais... todas as relações, fossem elas de amor ou de ódio.
e não há como explicar uma vontade, tampouco um sentimento.
tudo poderia estar perfeito, de acordo com a ordem natural da vida de qualquer um, mas o tempo, o tempo que ela queria era outro. parece até que ela não era daqui, ela não é de nenhum lugar, nasceu estrangeira.
apesar das coisas acontecerem naturalmente e de o acaso resolver a maioria delas, tudo se torna mais difícil quando você não está no lugar que deveria estar. e isso ela me disse, não era ingratidão. isso tudo que se passava era um desencanto somente.
ela olha para mim com um olhar de saudade, um olhar antecipado. eu vejo em seus olhos que ela já não está aqui.
o sossego de uma paisagem, os sons de um outro lugar, de uma outra rua. a chuva inesperada de uma tarde e a fala, que não é dela.
outra vida, a qual não há discursos gratuitos. ela quer ouvir.
eu entendo esta mulher, eu compartilho com ela toda essa vontade, embora saiba que, como tudo na vida, toda essa ânsia vai passar. antes que passe, espero que você a conquiste. e depois volte, minha querida,
volte.
[eu]
sábado, 21 de maio de 2011
me identifico tanto...
"Gosto muito de ficar sozinho olhando o mar. Gosto muito de futebol. Gosto muito da meditação vazia, sem rumo. Gosto de ficar remexendo na memória, sou maravilhado com o passado. E já disse, sem nenhuma piada, que sou uma alma da belle époque.
Não gosto da minha época, não tenho afinidades com ela. A meu ver, estamos assistindo ao fracasso do ser humano. Isso não quer dizer que mais adiante ele não se levante, mas no momento o ser humano está de quatro."
Não gosto da minha época, não tenho afinidades com ela. A meu ver, estamos assistindo ao fracasso do ser humano. Isso não quer dizer que mais adiante ele não se levante, mas no momento o ser humano está de quatro."
Nelson Rodrigues
domingo, 15 de maio de 2011
vermelho
as vezes eu só quero descansar
desacreditar no espelho, ver o sol se por vermelho
acho graça que isso sempre foi assim
mas você me chama pro mundo
e me faz sair do fundo de onde eu tô
de novo
nada sei dessa tarde se você não vem
sigo o sol na cidade a te procurar
a eu bem sei onde tudo vai parar
já não tenho medo do mundo
sou filho da eternidade
trago nestes pés o vento pra te carregar daqui
mas você sorri desse jeito
e eu que já perdi a hora e o lugar, aceito
desacreditar no espelho, ver o sol se por vermelho
acho graça que isso sempre foi assim
mas você me chama pro mundo
e me faz sair do fundo de onde eu tô
de novo
nada sei dessa tarde se você não vem
sigo o sol na cidade a te procurar
a eu bem sei onde tudo vai parar
já não tenho medo do mundo
sou filho da eternidade
trago nestes pés o vento pra te carregar daqui
mas você sorri desse jeito
e eu que já perdi a hora e o lugar, aceito
Marcelo Camelo
quinta-feira, 5 de maio de 2011
um click
você lá, em pause
em transe
e eu atrás da câmera
relance
eu te vejo
beijo
e almejo
o dia em que nossa vida
vai ser como no álbum de fotografia.
em transe
e eu atrás da câmera
relance
eu te vejo
beijo
e almejo
o dia em que nossa vida
vai ser como no álbum de fotografia.
eu.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
vinícius
Para viver um grande amor
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
"Einmal ist keinmal"
"... Torturava-se com recriminações, mas terminou por se convencer de que, no fundo, era normal que não soubesse o que queria: nunca se pode saber aquilo que se deve querer, pois só se tem uma vida, e não se pode nem compará-la com as vidas anteriores nem corrigi-la nas vidas posteriores."
"Uma vez não conta, uma vez é nunca".
"Uma vez não conta, uma vez é nunca".
terça-feira, 22 de março de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
posts que viraram música!
conheçam Dalai:
calor humano
http://www.myspace.com/157362999/music/songs/80259895
aquele céu
http://www.youtube.com/watch?v=-hqvNELIZGk&feature=player_embedded
calor humano
http://www.myspace.com/157362999/music/songs/80259895
aquele céu
http://www.youtube.com/watch?v=-hqvNELIZGk&feature=player_embedded
domingo, 20 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
domingo, 30 de janeiro de 2011
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
registro - família BsAs
sábado, 8 de janeiro de 2011
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