sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

despedida


tchau, 2010!

este post é de despedida.

2010 foi um ano de muito trabalho!
este ano eu terminei minha faculdade; trabalhei em um restaurante, uma experiência muito diferente, mas que trouxe a estabilidade que meu trabalho muitas vezes não me dá, e também me trouxe novos amigos; este ano eu fiz um projeto educacional que me fez conhecer mais gente querida; fiz minha primeira peça com um grupo muito fofo; fiz minha estreia no teatro com meu diretor de alma e coração, Rafael Gomes; fiz muitos trabalhos que me deram a tranquilidade de continuar fazendo o que gosto; fiz uma viagem que me fez conhecer pessoas de culturas diferentes, pessoas muito especiais; estive em paz na minha casa, com minha família querida, que é cada vez mais unida, compreensiva e trabalhadora, para que sempre possamos ter o melhor, ter uma estrutura consistente pra corrermos atrás dos nossos sonhos sabendo que temos um porto seguro nos esperando, sempre.


tudo isso me deu a oportunidade de conhecer muita gente nova, redescobrir lados diferentes de pessoas que conheço, me descobrir e também selecionar pessoas.

eu termino este ano sabendo mais do que nunca, que eu não estou pronta. percebi o quanto a gente se engana quando cai naquele lugar em que achamos que está tudo conhecido, previsível e seguro, é aí que está o equívoco. porque viver é estar atento, alerta o tempo todo. é estar acordado e mesmo sem estar pronto, estar pronto.

sabe aquela cena clássica que empurram uma criança indefesa e despreparada no palco, em um teatro lotado, com uma plateia que mais se parece com um monte de leão querendo te devorar? e aí a criança tem que fazer alguma coisa? então, este foi o meu ano de 2010.

muito obrigada por tudo, Cosmos, Deuses e todas as forças e energias maiores que existem! 2010 foi foda!

e que me empurrem pro palco mais uma vez em 2011!

beijos em todos os leitores, seguidores do blog e do twitter! muito obrigada pelos comentários carinhosos de sempre! de coração, boas festas pra todos vocês e um 2011 INCRÍVEL!

a voz da lua.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

então eu volto pra você.

você está aqui, nós ainda estamos juntos.
são imagens de papel fotográfico, são visões que passam como um filme na minha cabeça, são momentos em que eu me concentro muito e quase consigo reviver algum dia nosso - até sinto um frio na barriga e um aperto no coração, um instante de felicidade! - é a sua voz e o seu jeito de falar, de dizer coisas lindas.
eu voltei pra cá com um mundo, um mundo todo novo que me foi dado e este mundo é você.
eu quero te habitar, quero falar a sua língua. eu também quero que você me diga coisas que eu não entenda, mas que eu sinta que são boas. eu quero aprender os caminhos que você faz todos os dias e quero que você, e só você, me guie pelos caminhos deste outro lugar. eu quero que você me apresente as pessoas que você convive. eu quero que você me conte suas histórias e a forma como você vê o meu mundo, quero saber como você pensa e quero admirar sua generosidade e a maneira como você consegue me deixar feliz com coisas tão simples. eu estou disposta a te conhecer mais e mais e mais, e a te admirar, eu estou disposta a te amar.
e eu aprendi que quando a gente encontra alguém assim, não pode deixar passar.

então eu volto pra você.

'que nos de placer extrañar. de eso se trata quererse...'

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

os sofrimentos do jovem Werther

'Serão sempre fantasmas os responsáveis por nos sentirmos bem?'
Goethe.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

eu sou uma estrangeira
não pertenço a lugar nenhum.

eu.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

você tem todas as coisas que um dia eu sonhei pra mim.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Por Quê.

Por Quê. Ao mesmo tempo que se pergunta obsessivamente por que não é amado, o sujeito amoroso vive na crença de que, de fato, o objeto amado o ama, mas não lhe diz.

'... mas por que afinal você não me ama? Como pode alguém não amar este eu que o amor torna perfeito (que dá tanto, que faz feliz, etc.)?'

'(Eu te amo torna-se você me ama. Um dia, X... recebeu orquídeas anônimas: imediatamente alucinou-lhes a origem: só poderiam vir de quem o amava; e quem o amava só podia ser quem ele amava. Somente após longo tempo de controle é que consegue dissociar as duas inferências: quem o amava não era forçosamente quem ele amava.)

ROLAND BARTHES fragmentos de um discurso amoroso

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Ph.D em romance

este lugar também tem seu lado solitário, mudo. - ela pensou.
o teatro vazio é uma imagem muito nostálgica. mesmo que você nunca tenha pisado naquele palco ou sentado naquelas poltronas. não há imagem mais dolorida e tocante do que um teatro vazio.
e foi ali que ela, cuidadosamente, sentou e se instalou, sozinha. porque apesar de parecer tão triste e cheio de memórias fantasmas, dá vontade de ficar ali.
e uma conexão muito forte foi criada, como se ela fosse abençoada pelo 'deus' daquele lugar. como se alguém pudesse ouvir seu choro quieto e sem ar. porque ela começou a chorar, um choro guardado e angustiado, mas ela sentia-se bem. ela desejou que aquele fosse o porão de sua casa, pra fugir pra lá, às vezes, quando você se sente sozinho, sabe? tem um momento do dia que ninguém te procura. e isso a assusta um pouco, porque é semi desesperador quando isso acontece. mas no fundo, não era isso que você queria? - ela se perguntava.
e os pensamentos? por que eles não param?
e ela pensou que a vida poderia ser muito mais fácil se a gente só fizesse o que os outros quisessem que a gente fizesse. mas ela não consegue ir contra seus sentimentos, suas vontades. pelo menos não na maioria das vezes. e isso pode parecer egoísta ou mesmo mesquinho, mas é mais forte que ela.
se ela dissesse os 'sim' que eles queriam, se ela dissesse todos os 'não' que eles queriam... será que ela estaria mais feliz?
o amor que ela tem por ela é maior que tudo.
ela precisa mudar. mas neste lugar, com essas pessoas, parece impossível. porque todo mundo que está ao lado dela, também gosta muito mais de si.
então ela não é exceção.
mas se esse amor é grande demais, ela não deixa espaço pra ninguém amá-la, de verdade.
tudo isso e mais um monte de outras coisas rondavam sua cabeça.
no fim das contas, todo mundo quer mesmo é ser amado.
desculpe, mas foi essa a conclusão que eu cheguei. - ela pensou sozinha, ali, naquele vazio. (como se alguém realmente pudesse escutá-la).
você escolhe alguém, por motivos meio que inexplicáveis, e simplesmente quer que essa pessoa corresponda a isso. se você não é correspondido, dependendo da educação de cada um e do perfil, você resolve a situação de uma maneira: você pode tratar a pessoa, que você 'diz' que ama, muito mal; você pode vetá-la, não desejar sua felicidade; você pode evitá-la simplesmente; você pode entendê-la e deixá-la em paz, já que você a ama tanto. você escolhe.
ela também pensou que na verdade, não gosta mesmo é de ninguém no momento. e que tudo o que está por perto só a confunde, ilude e a desgasta.

quem não quer alguém pra cuidar, pra se preocupar, pra ouvir, pra aconselhar? eu realmente quero, porque eu quero trocar experiências lindas com essa pessoa, mas ultimamente eu tenho conhecido um lado do ser humano que me assusta, e eu só confio mesmo em mim. e confiar não é só falar de fidelidade, é falar de companheirismo, porque eu sei que eu estou aqui pra me ajudar sempre, pra cuidar de mim, eu confio em mim.
isso não quer dizer que não preciso de ninguém, preciso tanto quanto os outros. mas, por enquanto, eu sou aquele teatro vazio, mudo. eu vivo na escuridão, quieta. esperando que alguém acenda essa luz e eu possa me sentir em um outro lugar. num lugar que vou ser levada sem perceber.
escrevi tudo isso, com base em algumas experiências que tive nesses últimos meses, nos estudos teóricos e práticos, sobre o amor.
como um grande amigo meu disse, me tornei
Ph.D em romance. eu poderia colocar aqui trechos de livros, frases de música, cenas de filmes, mas acho que minha vida também pode ser uma referência do que é o amor, ao meu ver, na prática e nos seres.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

música para cortar os pulsos



curta temporada! não percam! :D

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

antes de dormir.

enquanto tento dormir eu penso em muitas coisas, e todas elas estão relacionadas a você. quando você não está, estou eu. lá estou eu, muito bonita e diferente do que me vejo, mas me vendo com seus olhos. estou eu lá, me admirando de longe, como se eu pudesse ser você caindo em si, percebendo o quanto essa pessoa que está no foco de luz pode ser boa pra você. e o quanto você precisa dela, claro. eu preciso muito de você. e eu comecei a perceber o quanto de coisa eu tenho medo de perder nessa vida, mas a que mais me amedronta em ir embora é você. e eu até troquei com o Cosmos todas as coisas que ele me deu até hoje, por um dia inteirinho nosso. eu não entendo muito bem a lógica do Universo, tudo que eu peço chega meio atrasado, ou será que eu sou ansiosa demais? eu pedi uma coisa pra ele, quando eu tinha meus quinze anos, ele me deu ontem! mas tudo bem, eu não to reclamando. o importante é que ele saiba que eu reconheço as coisas que ele faz por mim, mesmo sabendo que estão atrasadas. hoje eu consegui dormir mais rápido, mas você ainda estava lá. quando eu acordo eu me pergunto quando é que você vai me deixar de vez, porque eu não quero que isso aconteça, então coloco essa questão já pra me preparar pro dia em que eu vou dormir mais rápido ainda e sentir que você se foi. e quando eu conto isso para as pessoas, algumas delas me olham de um jeito, como se fosse banal, como se fosse fácil! eu também me pergunto, quando eu acordo, se você se sente assim, porque eu quero que isso aconteça, então coloco essa questão já pra me preparar pro dia em que nós vamos estar juntos, novamente, e você vai dizer, do seu jeito sincero e meio tímido (que eu me derreto): - má, eu pensava tanto em você! principalmente antes de dormir. e eu vou olhar pra você com uma expressão de quem não sabe do que você está falando, mas achando fofo. porque eu sou assim. eu sei do que você está falando, sempre. hoje vai ser difícil pegar no sono. no meio do dia eu já sei como vai ser. aí eu tento me cansar mais, gastar mais energia, pra dar essa desculpa pro meu corpo e para os meus pensamentos. eu tava pensando que eu não sei mais como era minha vida sem temaki, sem meu macbook, sem meus aprendizados todos. e talvez um dia, eu perca essas coisas. mas o fato é que eu não sei mais como era minha vida sem você... e eu te perdi! teoricamente, né? porque quando eu começo a ter essa consciência, o Cosmos acorda do sono dele, se mexe e traz você de volta. você e seus movimentos pequenos, tímidos. você e seu cheiro que eu guardo em mim. você me contando seus medos e anseios, como se tivesse me elegido para te ajudar. você me olhando, com aquele olhar de quem vai cuidar de mim. e se aproximando... e me abraçando, com aquele abraço que me faz ser inteiramente sua. e você nunca vai saber o quanto eu sou sua.
o que a gente faz com as pessoas que a gente ama muito?

o que eu faço sem você?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

música para cortar os pulsos

para saber atualizações sobre a peça, não deixem de entrar no: http://musicaparacortarospulsos.blogspot.com/

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sexta-feira, 30 de julho de 2010

e hoje eu o quis mais do que nunca.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Roland Barthes fragmentos de um discurso amoroso

|Ausência|

8. Um koan budista diz: "O mestre segura a cabeça do discípulo debaixo da água, durante muito, muito tempo; pouco a pouco as bolhas começam a se rarefazer; no último momento, o mestre tira o discípulo, reanima-o: quando você desejar a verdade como desejou o ar, então saberá o que ela é."
A ausência do outro segura minha cabeça debaixo da água; pouco a pouco, sufoco, meu ar se rarefaz: é por essa asfixia que reconstituo minha "verdade" e preparo o Intratável do amor.

S.S.: koan relatado por S.S.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

sobre nós

meus queridos leitores,

como vocês estão?
sei que fiquei um pouco ausente, mas agora estou aqui.
muitas coisas aconteceram. não vou conseguir contar tudo e nem sei o quanto isso interessa, mas como este espacinho é só meu, e de quem quiser brincar aqui, então eu conto o que eu estiver com vontade.
eu me formei no mês de junho! eba! hahaha! fiz rádio e tv e estou bem feliz, na verdade muito mais aliviada do que feliz!
também fiz um curso bem legal com a Mariana Lima, uma atriz incrível, que sou fã e admiro muito! um curso que mudou meu modo de agir em cena, meu modo de pensar. ativei algumas 'chaves' importantes, sinto que foi muito bom. e quando é bom pra cena, é bom pra vida.

e para os leitores que gostam de saber sobre meus trabalhos, vou contar aqui que estou ensaiando duas peças. uma bem diferente da outra. uma se chama 'Alice através do espelho' e a outra 'Música para cortar os pulsos'. Alice estreia em setembro e Música em outubro. depois conto com mais detalhes as datas e coisa e tal.
mas pra quem se interessar, MPCOP já tem blog e twitter. e quem quiser mandar músicas de cortar os pulsos para nosso e-mail (musicaparacortarospulsos@gmail.com), também pode!

www.twitter.com/musicapracortar
www.musicaparacortarospulsos.blogspot.com

enquanto vivo o processo dos ensaios, não esqueço da série tão querida e importante pra mim: 'tudo o que é sólido pode derreter'. sim, torço junto com vocês pela segunda temporada. quem sabe, né? se depender de nossa energia positiva, já aconteceu! :)

este ano vocês também podem conferir uma participação que fiz em um episódio, da segunda temporada, da série '9mm -São Paulo', do canal FOX. ainda não sei quando estreia, mas coloco aqui assim que souber.

por enquanto é isso. se acontecer mais coisas eu coloco aqui, está bem?

mudando de assunto, acho legal compartilhar aqui algumas coisas que ando pensando. nos ensaios das peças conversamos muito sobre a vida, sobre os personagens que vamos viver, sobre a sociedade, os ideais das pessoas, sobre músicas, filmes... e é tão bom!
na peça MPCOP, falamos muito sobre o amor. sobre sentimento.
quanta gente fala sobre isso, né?
e eu tenho vontade de colocar aqui todas as anotações que faço nos encontros que temos, mas vou colocar o que ronda minha cabeça depois de tanto falar sobre.

penso que não existe lugar mais comum que o amor. quem é que não sabe falar sobre isso? quem não pensa sobre? principalmente em uma noite chuvosa como a de hoje! ;)
eu penso também que no fundo, o que todos queremos é amar e ser amado.
e como diz um trecho da música da Tiê, eu só quero alguém que me dê carinho e atenção... é algo assim. peraí, vou colar aqui:

Chá verde - Tiê

'... mas o que eu penso mesmo, é encontrar alguém que me dê carinho e beijos, e me trate como um neném. me trate muito bem. ah, eu só quero amor, seja como for o amor, seja bom, seja bom, seja bom, seja amor.'

quase acertei! ah, gente! vou ser bem sincera, este assunto dá o que falar e eu to naquele momento de falar sem parar e não vai dar certo eu escrever aqui, porque são muitas informações na minha cabeça! não sei nem por onde começar... depois escrevo mais sobre. preciso dormir e parar de pensar um pouco! hahaha! mas aceito a opinião de todos, escrevam, escrevam! :)

então tá. me despeço de todos com muito amor e beijos! boa noite,

m.





terça-feira, 29 de junho de 2010

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Símbolos

"... Mas quem repara na lua senão para achar
Bela a luz que ela espalha, e não bem ela?..."

Álvaro de Campos

terça-feira, 1 de junho de 2010

olho de lince

'quem fala de mim tem paixão'

Jards Macalé e Waly Salomão

terça-feira, 18 de maio de 2010

terça-feira, 27 de abril de 2010

vento, ventinho.

Folha, folhinha
caída no chão
me mostra o caminho que você vai fazer hoje?

Será que somos iguais? Será que sou levada pelo vento e pelos pés nas ruas, pés que me pisam, me arrastam, ou em alguns momentos, desviam de mim?

Será que eu também vivo de acordo com as estações? São elas que ditam pra onde eu vou? Se fico no alto ou se vou pro chão? E se me refaço, eu volto pro alto?

Quem te ama folhinha? Alguém já te disse isso? E se ninguém nunca disse, eu acho até que isso é bom. Porque as poucas pessoas que me disseram algo desse tipo, fizeram coisas que não tinham muito sentido. Fiquei com alguns machucados. E eu penso que se você sobrevive a tanta coisa... Será que eu também renovo minhas cicatrizes? Ou será que acumula? Talvez seja como as multas que eu recebo do trânsito, talvez elas expirem dentro de um ano e aí cedem lugar para outras...

Eu não sei o motivo, mas pensei muito em você hoje, folhinha. Pensei que quero te seguir pra ver se você me leva junto com você. As folhas vão pra algum lugar interessante, porque eu nunca vi uma folha voltar.

Quero saber se você tem pressa como eu? E se você tem preguiça de algumas fases da vida. E não é aquela preguiça preguiçosa, só pra ficar à toa, é aquela preguiça pretensiosa, de achar que têm coisas que a gente já sabe e não precisa passar. Mas vou te confessar, eu vivo muitas situações, muitas mesmo, ao mesmo tempo. E eu, que acho que sempre vou saber lidar com tudo, mas às vezes me pego repetindo besteiras, repetindo tolices e sofrimentos. Eu não quero isso pra mim.

Eu quero que os ventos me levem pra longe bem na hora que eu desejar que eles me levem.

Me diz, folhinha, é você que manda nos ventos? É você quem diz pra ele a hora certa de sair da sua árvore?

Porque eu já não me aguento das mesmas pessoas, dos mesmos lugares, das mesmas palavras soltas, dos mesmos sonhos e da vida que me leva tão devagarzinho.

Folhinha, conversa com ele então e pergunta se ele não está na contramão.

Enquanto isso eu canto,

'Folha, folhinha
Me mostre sua trilha
Me apresente seu amigo
Vento, ventinho
Me mostre a direção
Me abrigue em algum outro coração
Folha, folhinha
Vento, ventinho
E eu,
sozinha
E eu,
sem caminho'

[eu]

sábado, 20 de março de 2010

o amor - parte II

eles são vistos de cima novamente. porque essa composição vista assim do alto é a imagem mais pura deles. o molde de cada corpo, a maneira como eles dormiram e permaneceram até o dia amanhecer é o modo mais sincero de se analisar os amantes.
e eles não querem acordar. eles acordam e se mexem. tudo se mexe junto, então o plano é outro. agora são os detalhes: são os olhos e o sorriso e o som, a voz amanhecendo e dizendo coisas lindas e sinceras. sim, porque ninguém falaria coisas lindas, que não fossem sinceras, de manhã.

eles se olham.
ele mexe com ela e ela sorri levemente.

escute com atenção. como é bom ouvir os sons da manhã. o riso dela bem contido, a voz rouca dele dizendo coisas que no fim sempre vão significar a mesma frase pra ela: -calma, eu to aqui.

eles se olham muito e tudo fica sério.
então ele diz. e ela quase chora. ela se emociona.
ele: - e você?
ela não se move.
ele: - não vai dizer que me ama também?
os olhos dela enchem de lágrimas e ela não consegue falar.
ele não entende muito bem.

tempo

ele: - amor? você não vai dizer o mesmo?


ela: - mas é como se eu estivesse dizendo.

eu.

o amor - parte I

encontrar o amor da sua vida significa encontrar a pessoa que vai cuidar de todas as suas dores, apesar de ser a única pessoa que você tem a consciência de que vai te machucar muito.


no mínimo tentador.

eu.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Você pode sentar-se aqui mesmo e começar, ele disse. A garota, que era larga, muito larga, porque comprida é pouco para ela, sentou-se. Suas pernas não estavam à vontade, mas ela viu nos olhos dele que ele percebia isso, então ela já não se incomodava tanto.
Havia uma brisa leve e refrescante que entrava de acordo com os movimentos sutis da cortina cor de creme, entrava também uma luz fina de sol amarelado alaranjado, o que era lindo de ver, mas isso incomodava sua concentração. Ele sentou em uma poltrona um pouco mais a frente e começou a ler um jornal local. Ela então pensou que era hora de começar. Olhou para o papel branco, novinho. Olhou bem para o lápis de madeira que estava em sua mão direita. Um lápis assim tão bem apontado e novo, precisa ser gasto com as palavras certas. E quais são as palavras certas pra você? Quais são as frases que você gostaria de ler? A menina pensou que aquele momento era de uma paz interior muito grande e que estava indo tudo muito bem. O clima era bom, a sala tinha um cheiro de flores do campo. O homem era grande e misterioso. E ela tinha ali um papel e um lápis prontos. Mas e o tempo? E se eu quiser passar a noite inteira aqui e só começar a escrever quando amanhecer? - ela pensou. Estava tudo muito estranho, a menina tinha tantas ideias, tanta história que inventava todos os dias, e não conseguia colocar nada no papel. A menina então não se aguentou e quebrou o silêncio. Não consigo, disse ela. Sua voz foi de certa inconveniência para ele. A brisa parou, a cortina descansou seus movimentos, a luz do sol baixou e o papel já não era tão branco assim e o homem ficou muito sério. Ele dobrou o jornal lentamente, olhou para ela e disse: Você está bem? Sim, estou. Está com sede? Não. Você quer ajuda? Não. O que você quer? [Pausa] Eu quero um conflito. [Pausa] Ele então levantou e bruscamente tirou o papel da mesa, amassou, pegou o lápis de sua mão e a mandou embora sem nenhuma palavra ou gritaria ou coisa assim. A menina se assustou, quase não conseguia sair da cadeira, porque suas pernas a atrapalhavam. Ela saiu correndo pelo campo. Ele a olhou da janela. A menina corria, corria e seus olhos começaram a encher de lágrimas. Era uma cena linda. Ela não sabia pra onde estava indo. Ele a avistava cada vez menor e distante, até que ela sumiu. A menina que era larga e comprida, chorava feito criança. Ela estava triste e tinha raiva porque estava tudo em paz. Estava tudo triste. Ela olhou a sua volta e era tudo muito bonito e calmo. A menina se sentia em um quadro. Ela não queria mais estar lá, ela amava aquele homem e não podia fazer nada. A menina larga queria ir embora, queria vida. Onde está tudo o que eu quero tanto viver?

Onde então a menina há de achar?

nos encontros.

eu.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010