ontem participamos da manifestação contra a violência e o feminicídio aqui em Buenos Aires. caminhamos juntas até o Obelisco acompanhadas de uma chuva incessante e um vento fresco. a minha vontade real não era caminhar e gritar algumas frases, o meu desejo era sair correndo sem rumo. nada parecia suficiente. eu olhava ao meu redor e muitas vezes me calava diante daquele acontecimento louco. a verdade é que eu imaginava na minha cabeça uma outra cena.
todas as mulheres correndo juntas, cada uma jogando seu guarda-chuva pro alto, com as tintas e maquiagens borradas pelo corpo, soltando sons animalescos acompanhados do ritmo dos tambores. na linha de chegada um microfone solto no chão. cada uma dessas mulheres poderia dizer algo:
- Lucía, eu tenho frio e já não sinto as minhas mãos. Eu tenho um calor aqui dentro do meu peito que me dá vontade de sair correndo. Eu to pulando pra sentir meus pés no chão. Meu ciclo menstrual coincidiu com o dia de hoje. Isso é feminismo? Lucía, eu vejo a cor vermelha no chão e penso em você. Lucía, estamos de batom vermelho, inclusive nossos cartazes também estão marcados com esse batom. Queremos revolucionar, queremos correr qualquer distância até chegar nos seus braços. Eu estou aqui e a minha pressão baixa está querendo me levar... eu vejo cartazes com nomes de outras vítimas, Lucía, eu me acalmo por alguns minutos e tento reconstruir o que te aconteceu. É impossível. Dói. Eu nunca saberei a dor que você sentiu, mas eu quero te dizer que eu estou VIVA, que estamos vivas e que você está aqui.
Lucía, todos os dias, TODOS LOS DÍAS son días de lucha y amor. Lutaremos juntas, compañera, porque estar juntas nos hace estar VIVAS.
Lucía, todos os dias, TODOS LOS DÍAS son días de lucha y amor. Lutaremos juntas, compañera, porque estar juntas nos hace estar VIVAS.
te amo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário