segunda-feira, 28 de março de 2016
turbulência
Eu tive que dormir às 21h30 da noite, muito cedo pra você. Eu precisava fechar os olhos por conta da minha enxaqueca que fazia tempo não me visitava. Focada no olho direito, a minha enxaqueca aparece por motivos banais do tipo comer muito doce, deixar de comer de três em três horas, cheiro de cigarro ou ficar entediada por uma tarde inteira. Aqui não tem wifi e eu to ficando cada vez mais amiga das capas dos seus livros. Como coisas tão banais podem fazer doer tanto meu olho direito? Como pode ser que a solução seja simplesmente o escuro e o silêncio? Eu fecho os olhos e te peço pra fechar a porta. A gente sempre sonhou em poder dormir juntos e acordar juntos sem ter que se despedir. Ontem uma bomba atingiu o aeroporto e uma estação de metrô da Bélgica, hoje de manhã o Obama veio nos visitar e o Centro de Buenos Aires ficou um caos. Nossa mente também estava um caos. Você foi trabalhar e voltou duas vezes e eu te conheço tanto! No facebook as notícias aleatórias me dizem que meus amigos ganharam prêmios Shell, a mãe de uma conhecida que conheci quando fui pra Madri acabou de falecer ( e eu não entendo como ela conseguiu digitar essa frase no facebook) e uma garota que morou no meu primeiro apartamento de Buenos Aires depois de mim alterou o seu estado para " segura " na Bélgica, eu não lembrava que eu conhecia uma belga. Não conheço. Eu só mostrei pra ela o apartamento pensando na sorte que ela tinha de poder morar lá. Eu nunca quis partir, mas estou sempre indo embora. Sempre quis ser estrangeira e não faço outra coisa que não isso. As turbulências me dão medo e todos dizem que é normal o avião tremer, mesmo que não pareça.
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