sexta-feira, 22 de agosto de 2008

CAIXA DE VOZ.

quando ouvi o tremer angustiado, aquela vibração que assusta e te espera, eu soube que era você. um aviso: MENSAGEM. eu me atropelo com os dedos.e, rapidamente, como quem nunca escutara a sua voz, aguardo. eu espero como se soubesse que eu precisava daquele timbre. sinto um meio sorriso de canto, que se abre aos poucos, automático. e o início se dá com saudações íntimas. o tempo passa e não há nada que mude as velhas manias que construímos, os moldes que deixamos um no outro. somos mais que amantes apaixonados, somos errados. sempre proibidos. e a escuta é pelo olhar arregalado, pela respiração inquieta e quieta. parece que voltamos a ser o que éramos antes, por alguns instantes. eu sou sua. você me diz o que eu quero ouvir. e mais nada. nada. a repetição é uma rua sem saída. não há mais nada que ele diga, a não ser eu te amo. e só o seu grave, trêmulo, sem mais receios, dá sustentação pra tal verdade. uma louca vontade de gritar, de poder te escolher. eu acreditava nas escolhas, embora nem sempre podemos cumprí-las por inteiro. assim que tudo fica mudo, eu escuto uma voz mecânica, pronta, que me direciona pra tantos caminhos, números, asterisco. mas, meu amor, eu prefiro nem responder. eu aguardo. e guardo, com apego, a sua mensagem. sempre que eu te quiser assim, neste tom, eu vou te ter. é só eu apertar um botão e eu tenho, de novo: eu e você.

eu.

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