Para isso fomos feitos
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos
Por isso temos braços longos - para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra
Assim será a nossa vida: ma tarde sempre a esquecer
uma estrela a se apagar nas trevas
um caminho entre dois túmulos
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve,
Ver a noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai
Mas que essa hora não esqueça
E por elas nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos
Para esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte
De repente, nunca mais esperaremos
Hoje a noite é jovem;
Da morte, apenas nascemos
Imensamente
terça-feira, 29 de abril de 2008
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